sexta-feira, 22 de julho de 2022
Vicent
Van gogh é meu artista favorito definitivamente. Essa paixão se iniciou nas aulas de artes aos meus sete anos.
Não era só um simples artista e um quadro que meu professor iria apresentar, mal sabia eu, era uma história e representação que eu ainda iria me identificar e levar para minha vida.
Um mero sujeito holandês, com as mãos sujas de tinta óleo, que fizera mais de 800 telas sem nenhum aplauso, reconhecimento e investimento.
Sujeito esse que vendeu somente um quadro em vida, para uma amiga colecionadora. (se ela soubesse que 400 francos não era nada comparado a tudo que ele ainda iria proporcionar).
Esse sujeito de barba ruiva, olhos azuis, procurou sentido na sua vida de várias formas, seguir o seu pai era uma delas.
Pregou o evangelho na tentativa de ser um pastor, vendeu todas suas coisas para viver como os trabalhadores pobres da mineradora. Entende a humanidade e empatia que por opção, Vicent, esse sujeito fez questão de sentir?
Sentada olhando para o teto do meu quarto como costumeiro, me vem aquela nuvem de desgosto e julgamento, será que sou sensível demais ao mundo? Firme demais em não aceitar viver em mentiras? Detalhista as pequenas coisas da vida e desatenta a poderes e cargos sociais considerados relevantes?
Levou 27 anos para esse sujeito pegar um pincel na mão e expressar toda sua ternura em telas, sem pretensão, sem conhecimento artístico, somente na tentativa de ser simplesmente, ele, Vicent Van gogh que foi sua própria e única inspiração para os mais de 37 auto retratos.
Moderno demais, diziam os pintores franceses, os renomados e consagrados impressionistas.
Lá vem ele, louco, doente, maluco. Van gogh e seus demônios internos, suas lagrimas e ansiedades, sua saliva de tristeza e incompreensão na borda da garrafa de absinto velha. A tal que foi motivo desse sujeito parar em uma clínica para entender seus demônios. Quem diria que a forma mais genuína que ele encontrou nesse momento foi olhar as estrelas do seu quarto?
Os campos de trigos, as oliveiras, e sabe, vendo de tão perto essas obras na Holanda, é compreensível ver o quanto sua vida não tinha como ser ausente das suas obras. A angústia e a leveza eram nítidas em cada cor e traço.
Esse texto todo aqui, é uma reflexão que faço todos os dias. Vicent não suportou viver a vida programada e farsante deste mundo, mas sobreviveu o suficiente para nos dizer, que existe beleza, existe amor, existe algo que nem ele compreendia. E para esse sujeito, digo: obrigada por ter sido o cara esquisto da sua época, espontâneo e autentico que teve coragem de confrontar a grande elite francesa, não era rico às vezes não tinham o que comer, não era arrumado, sempre com seu chapéu de palha. Mas como seu irmão Theo, quem ao menos te ouvia e tentava compreender a imensidão da vida que você transbordava, sabia o grande valor que você tinha.
Nós, temos, Vicent.
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